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Prefeitura prorroga estado de calamidade pública após tragédia que deixou 66 mortos em Juiz de Fora

Bairro Jardim Natal seis meses após o temporal histórico em Juiz de Fora Juliana Netto/g1 Prestes a completar seis meses da tragédia provocada pelas chuvas ...

Prefeitura prorroga estado de calamidade pública após tragédia que deixou 66 mortos em Juiz de Fora
Prefeitura prorroga estado de calamidade pública após tragédia que deixou 66 mortos em Juiz de Fora (Foto: Reprodução)

Bairro Jardim Natal seis meses após o temporal histórico em Juiz de Fora Juliana Netto/g1 Prestes a completar seis meses da tragédia provocada pelas chuvas de fevereiro, a Prefeitura de Juiz de Fora publicou, neste sábado (22), um decreto que prorroga o estado de calamidade pública no município. O temporal histórico, que atingiu Juiz de Fora e Ubá, deixou um rastro de destruição e 74 mortos na região. Deste total, 66 ocorreram na maior cidade da Zona da Mata mineira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O decreto permite que a população afetada tenha acesso a benefícios como o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a suspensão temporária de parcelas de financiamentos imobiliários. A medida também mantém a possibilidade de mobilização de órgãos municipais e voluntários, além de autorizar ações emergenciais, como a entrada em propriedades particulares para prestar socorro e a dispensa de licitação para obras emergenciais. Segundo a prefeitura, a prorrogação é necessária porque os impactos do temporal ainda persistem na infraestrutura urbana e as ações de assistência social e reconstrução continuam. O novo decreto tem validade de 180 dias. Seis meses Meio ano após o desastre, a Prefeitura de Juiz de Fora atualizou a situação das ações de resposta e assistência no município: Conforme o Executivo municipal, todas as 9.068 ocorrências registradas pela Defesa Civil desde o início do estado de calamidade foram concluídas. O quadro técnico do órgão conta atualmente com 110 profissionais no monitoramento e suporte às áreas de risco. A expectativa inicial era chegar a 125 agentes. Evacuações permanentes e interdições Apesar da conclusão dos chamados, a rotina de milhares de moradores ainda está longe de voltar ao normal. Atualmente, 47 ruas permanecem evacuadas e 26 estão interditadas, além de trechos com restrições ao tráfego de ônibus e veículos pesados. O g1 solicitou à prefeitura a lista atualizada, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. Em muitos bairros, ainda há destroços espalhados, o que impede o retorno das famílias às casas e a liberação das ruas. A prefeitura informou ainda que algumas áreas tiveram a desocupação decretada em caráter permanente, devido à inviabilidade técnica de recuperação do solo para fins habitacionais. As medidas definitivas atingem: Bairro Três Moinhos: interdição e evacuação total do bairro. Bairro Esplanada: desocupação permanente na região da rua Professor Walquírio Seixas de Faria, acima da rua Mamede Camilo, e no escadão que liga a rua Luís André Hagen à rua Antônio da Costa Pacheco Filho. Até julho, o município executou 31 demolições de imóveis condenados. Na sexta-feira (21), a prefeitura iniciou a demolição de 22 casas na rua Maranhão, no bairro São Bernardo. Conforme a Defesa Civil, as residências foram classificadas como destruídas ou interditadas definitivamente. Em relação à situação do macromural localizado no bairro Esplanada, a administração municipal informou que não há novas atualizações técnicas. Em outros pontos, como o córrego Humaitá, no bairro Industrial, a estrada Engenheiro Gentil Forn e ruas do bairro Paineiras, abaixo do Morro do Cristo, as obras estruturais ainda não começaram. O temor dos moradores é que, com a aproximação do próximo período chuvoso, essas regiões registrem novas ocorrências. A atuação do Poder Público é questionada na Justiça. A Defensoria Pública de Minas Gerais ingressou com uma ação contra a Prefeitura de Juiz de Fora e apontou suposta omissão e falhas na prevenção e na redução dos danos causados pelas tempestades de fevereiro. Em resposta, o Executivo afirmou que já mantinha medidas de prevenção, monitoramento e retirada de famílias de áreas de risco. Sobre os pedidos da Defensoria Pública, defendeu que as intervenções sejam realizadas de forma técnica e gradual, conforme estudos, projetos, contratações e disponibilidade de recursos, e pediu que a tutela de urgência não seja concedida. Desafios, doações e desdobramentos judiciais Margem do córrego Humaitá, no bairro Industrial, em Juiz de Fora Juliana Netto/g1 Em relação aos auxílios, o Auxílio Calamidade Municipal, no valor de R$ 800, atendeu 1.750 pessoas, conforme critérios socioeconômicos estabelecidos. As famílias afetadas também têm direito ao Auxílio Reconstrução, que começou a ser pago em abril, e ao programa Compra Assistida, que prevê subsídio do Governo Federal para a compra de um novo imóvel por quem perdeu a casa de forma permanente. Recentemente, famílias afetadas em Juiz de Fora e Ubá começaram a receber móveis e eletrodomésticos por meio do programa Kit Recomeço. Prevenção A prefeitura informou que intensificou uma série de ações preventivas para tentar amenizar os impactos das tempestades no município. Entre os trabalhos realizados estão o desassoreamento de rios e córregos, a limpeza de bueiros e redes de drenagem, a proteção de encostas e a demolição de imóveis com risco de desabamento. Esta última etapa conta com recursos da Defesa Civil Nacional. LEIA TAMBÉM: Nova fase de obras no Córrego São Pedro Obra de R$ 90 milhões começa e promete reduzir alagamentos históricos no bairro Mariano Procópio, em Juiz de Fora Industrial terá obras de macrodrenagem no valor de R$ 95 milhões Em paralelo, o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) está em atualização. O estudo, conduzido por uma empresa contratada pela Secretaria Nacional de Periferias, vai mapear os locais prioritários e orientar a busca por recursos para novas obras. A Defesa Civil também reforçou as atividades educativas e de conscientização em escolas e bairros por meio dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs). O órgão informou que continua em alerta e orienta moradores de áreas de risco a entrar em contato pelo telefone 199 em caso de novas ocorrências ou sinais de instabilidade no solo. ASSISTA: Prefeitura de Juiz de Fora inicia demolição de imóveis no bairro São Bernardo Prefeitura de Juiz de Fora inicia demolição de imóveis no bairro São Bernardo VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes